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Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

05.Nov.17

Os meus anos em São Miguel

No segundo dia levantamo-nos cedo com a pica toda de ir conhecer a ilha, e eram os meus anooooos! WOOOOOW acordar com 26 anos não foi tão agradável quanto pensei mas menos mau do que estava à espera. 

Para este dia tínhamos planeado passar o dia nas furnas e ir ao Parque Terra Nostra, mas como pessoa intemporal que sou, dada a muitos manifestos de alta emoção e outros de nem tanta, o tempo alinhou comigo e foi de marcar furacão para os meus anos, vinha aí o Ophelia... Buhhhh a pensar que os dias na ilha já iam sair furados, o senhor Jorge vem salvar a situação e disse ai não, vão no sábado às furnas e na sexta aproveitem para ir ver a lagoa das Sete Cidades que ainda vai estar bom tempo. Dito e feito, não queremos contrariar a sabedoria de um local e ainda bem que o fizemos. 

 

Foi um dia espectacular onde o objectivo seria conhecer a Lagoa da Sete Cidades, o Hotel abandonado, vários miradouros, a Ferraria e acabar a ver o pôr-do-sol em Mosteiros, que dizem ser o mais bonito da ilha. Muitos quilômetos depois entre inúmeras hortênsias, que são bem capazes de ser as minhas flores preferidas lado a lado com as bonitas das camélias, chegamos ao Hotel abandonado que abriu em 1989 e foi um fiasco, revirado e vandalizado, hoje restam apenas as paredes que se pudessem falar, sussurravam histórias de indignação e esquecimento. O Monte Palace, fica mesmo à porta da Lagoa das Sete Cidades, com vistas incríveis sobre este tão típico postal de boas vindas da ilha. O hotel por si só é um autêntico monumento visitado por muitos e um majestoso miradouro sobre as Lagoas.

Ficámos estarrecidos a imaginar a beleza daquele hotel em tempos idos, como seriam os quartos, a mobília seria de madeira maciça, o Hall tão grande e aberto, quantas pessoas passaram por aqui e apreciaram o esplendor daquela construção que agora estava entregue à devassidão da natureza que a pouco a pouco o declara como seu.  

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Parámos mais à frente no Miradouro da Vista do Rei e a Lagoa das Sete Cidades é magnifica, o verde que esbate no azul através de uma ponte como se selando o seu amor... e já estou a divagar... mas ver as Lagoas e pensar na lenda dá-lhe outro simbolismo, imaginar a princesa e o pastor, dois enamorados, que quando se reuniram para se despedir choraram o seu amor impossível, cada um teria de seguir o seu caminho mas para trás ficou a prova de aquele amor existiu, uma lagoa verde que nasceu das lágrimas do terno pastor que beija para sempre a sua princesa, uma lagoa azul tão azul quantos os seus olhos que lhe deram origem. Ah a minha veia romântica deu pulos de contentamento com esta lenda. 

 

Contemplada a Lagoa das Sete Cidades fizemos o caminho para trás e fomos ao Miradouro da Boca do Inferno, e que miragem! Consegue ver-se quase todas as lagoas daquelas redondezas, quando lá estivemos estava um ambiente místico conferido pelo ligeiro nevoeiro que se estava a pôr. Descemos novamente pela estrada donde viemos e que ia dar à Lagoa das Sete Cidades, o objectivo seria picnicar na sua margem, mas sem antes de fazermos uma curta paragem para ver uma lagoa que só se consengue observar de cima, a Lagoa de Santiago. É muito bonita e dada a sua localização parece um tesouro escondido na floresta. 

 

Lá continuamos caminho, almoçamos umas empadas vegetarianas deliciosas da Louvre Michaelense, umas sandes de uma pequena banca de comida e enfardamos a barriga de araçás que tínhamos nessa mesma manhã descoberto na praça em Ponta Delgada. Que fruto delicioso acabado de colher pelo senhor que nos vendeu, amargo e doce, amarelo ou vermelho, sejam como forem sei que desapareceram num ápice. 

 

Feito o piquenique, dissemos olá a umas quantas vacas felizes e partimos viagem para glorificar aquele dia de passeio como mais um em que tivemos de molho. Desta, nas termas da Ferraria. À chegada deparámos já com aquele ar agreste da Ponta da Ferraria, onde o verde deixa de existir e encontra a rocha negra que desponta no oceano. Trajados com os nossos fatos de banhos fomos para a piscina natural que de todas as nascentes termais que existem na ilha, aquela é especial e fica no mar dando origem a uma pequena piscina natural de água quente. Já avisados sobre as marés, fomos na altura perfeita e conseguimos desfrutar do combate entre a água quente da nascente e as águas gélidas das ondas do mar que entravam pela piscina adentro. Foi uma experiência e tanto, a repetir sem dúvida. 

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Depois de tanto banho decidimos ver o pôr do sol nos Mosteiros, mas aqui há sempre um problema quando se impôe ver um pôr-do-sol, isto porque para nós nunca funcionou, chegamos sempre cedo de mais. Já em São Pedro de Moel a mesma história 

Quase duas horas antes dele acontecer, ainda aproveitamos os últimos suspiros do sol no céu com Especiais, a cerveja da Melo Abreu natural dos Açores, e partimos de novo de viagem para Ponta Delgada onde tínhamos mais uma vez mesa reservada para o jantar. O pôr-do-sol fica para o primeiro dia em que chegarmos a São Miguel numa próxima. 

 

O jantar era suposto ser no único restaurante vegetariano da ilha, mas estavam cheios :( .... contudo não se chora em leite derramado e fomos à Forneria de São Dinis. Não se perdeu nada, pois comi só de longe o melhor cheesecake de frutos silvestres de sempre! Aquele sabor genuíno do queijo ficou gravado nas minhas papilas gustativas, só sei que a partir daquele momento só comi cheesecake como sobremesa na ilha.

Fiquem com algumas fotos da praça, que da comida voou tudo antes de fazer clique.  

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 Terceira e última parte desta aventura na ilha lusa

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