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Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

04.Nov.17

Mais alguém acusa-se de ter uma esquisitice?

Há tempos tive um jantar com mais três amigas e fizemos uma tertúlia acompanhada de petiscos portugueses, íamos na maior das cavaqueiras quando uma delas disse que tinha vontade de confessar algo que já lhe azucrinava a cabeça algum tempo e que não tinha fim à vista. E pronto a moça lá confessou uma obsessão que a levava a comer tudo aos pares.

 

Aos pares, mas como assim? E ela explicou que não consegue comer só uma bolacha tem que comer duas, e se por acaso houver três bolachas, não consegue comer nenhuma pois sabe que uma delas vai ficar sem par portanto acaba por deitar fora o pacote. E depois recitou-nos tim por tim o que é que tinha comido até ao momento naquele jantar, pois esta maldita regra mental aplica-se a todo o tipo de alimentos. Ora portanto, duas fatias de salame, duas fatias de pão branco, duas de escuro, dois pedaços de queijo, quatro azeitonas e seis batatas fritas. Na mesa havia também beringelas recheadas e ela serviu-se duas vezes, não porque tinha fome ou gula mas porque na sua mente tem de ser tudo dois a dois.

 

Bastante perplexas, não tardou que começasse a chover perguntas, queríamos saber mais e daí colocávamos a obsessão à prova com variadas situações, uma delas era em caso de ela provar e não gostar, o que é que fazia? Lá disse que a sua amiga mania não a deixava escapar tão facilmente teria que comer segunda vez senão o cérebro fritava de tal que era a desordem. E quanto à fruta? Diz que tenta cortar a fruta ao meio e pensar, miúda são duas metades, é par não inventes, porém a obsessão leva sempre a melhor e leva-a comer duas maçãs, um número redondo par.

 

Foi de consenso comum que ela levou o prémio de a mais esquisita bizarra na mesa. Achei esta história incrível, e fez-me lembrar uma fase que tive na adolescência que antes de ir para a cama fechava todas as torneiras de casa. Todinhas! Deitava-me e cinco minutos depois voltava a levantar para ir fechar novamente todas as torneiras. Havia noites que podia repetir-se duas a quatro vezes, como se pode calcular, não foi nada fácil. Actualmente tenho ainda alguns passos que quase como tradição cumpro todos os dias. Por exemplo, não saio de casa sem ver se o frigorífico e o forno estão respectivamente fechado e desligado, às vezes chego a confirmar duas vezes, mesmo após de já ter trancado a porta de casa volto a subir escadas e entro de novo para fazer o dito check.

 

Concluindo somos criaturas estranhas, não somos? Cheios de supostas normalidades e aparências vulgares e depois repletos de complexos, hábitos e esquisitices que mantemos no escuro, longe do escrutínio dos outros. A meu ver penso que são extras com que aprendemos a viver e servem para garantir que o nosso dia fique mais completo.

 

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