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Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

20.Jul.17

Lolita, se eu soubesse antes de conhecer-te

Um dos livros a ler do mês de Julho é um clássico, daqueles livros que sempre ouvi falar e que foram ficando para mais tarde. Pois bem, o mais tarde tardou de ser agora, e ando a ler o romance Lolita de Vladimir Nabokov.

 

Todos, penso eu, já devem ter ouvido falar sobre o livro em questão e do assunto controverso em que se debruça. A trama, muito resumida, é de um homem, o professor universitário Humbert Humbert, que se apaixona pela menina de doze anos de nome Dolores Haze. Carinhosamente conhecida como Lolita ou Lo. Daí o título do livro.

 

Estão a ver o tema, pedofilia mascarada em linhas delicadas e castas, nada fácil. O desafio é mesmo ler, pois segue como um registo biográfico do protagonista que está registando as suas memórias e deste modo, entramos de alguma forma na sua cabeça, nas suas razões e nos seus medos. O livro é escrito de forma tão eloquente que envolve o leitor na perversidade de pensamentos de Humbert Humbert tendo pesar e sofrendo com o personagem sem que dê por isso e quando se apercebe ESPERA, muita calma que ele está apaixonado e tem fantasias por uma miúda de 12 anos.

 

O romance não é lascivo e nem tem de forma alguma cenas eróticas por aí além entre ambos os protagonistas. Na sua escrita brilhante Vladimir Nabokov conseguiu criar um mundo sugestivo de momentos íntimos entre ambos com breves e leves desejos do professor todos eles muito bem elaborados com palavras caras e bonitas misturado com um par de frases em francês que fica muito très chic. 

 

Não consigo dizer que estou amar o romance mas não consigo afirmar também o contrário, porque a maneira como está escrito absorve-me de tal maneira na sua história que perco o horror ao tema do livro. Okey, é verdade que ao final de um par de capítulos fico cansada. Cansada do género, preciso de pensar noutra coisa, vou pousar este pequeno monstro na mesa e intercalar com algo mais corriqueiro por assim dizer, ou então menos abusivo do meu discernimento.

 

E é isto, o livro está neste momento a meio ao lado do sofá entre uma chávena de chá vazia e um par de brincos. Enquanto isso, para desanuviar ando a ler Um homem chamado Ove.. pensava eu que ia desanuviar :( fico com a lágrima pendurada com cada tirada profunda sobre o amor de Ove.

Muito certeira na escolha de livros desta vez, muito bem Isabel.

 

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