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Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

09.Nov.17

Germanices - Doença além fronteiras!

Recentemente a Mula num dos seus desabafos do dia inquiriu-se sobre como seria um cidadão ficar doente num país que o permite. O que me fez lembrar que ainda não vos tinha falado desta pérola alemã. E digo-vos mais, quem dera a muitos ter esta preciosidade e bonito bonito seria mesmo que fosse regra em tantos outros países incluindo o nosso lindo Portugalinho.

 

Ninguém merece ser acometido por uma doença, seja ela uma ligeira dor de barriga ou um ataque de diarreia fulminante que muda o nosso habitat para a casa de banho com a agravante de ter de lidar com todos aqueles germes e micróbios peçonhentos em todo o lado. No entanto, talvez ajude não ter que pensar eish merda bolas, e agora como faço com o trabalho? Aqui é muito simples, está doente liga para o serviço/trabalho e informa. E informa o quê? Se vai estar doente 1/2 dias ou se porventura ainda vai amanhã ao médico e depois este passa atestado. E assim volta a ligar no dia seguinte a informar o ponto de situação.

Ora, aqui um trabalhador pode meldar-se (termo alemão aqui utilizado e que à falta de tradução, ups, uso a versão aluseada deste) de doente até três dias sem atestado médico, não há crise nem pesos de consciência. Como podem calcular, esta medida é usada e abusada de maneiras que há quem falte três dias, vá no quarto trabalhar e depois avisa aí e tal ainda estou doente e fica outros três dias em casa.

Há quem queira tirar umas folgas e faça disso um registo de doença.

Há quem vá buscar o atestado médico, chega à recepção e recebe um, não há necessidade nem de consulta.

Há quem esteja mesmo doente, vai ao médico ver o que se passa, e na mesma sala encontra tantos outros já com o seu papelinho rosado como prémio de consolação. Entra no consultório e a imediata pergunta do senhor doutor é, então e quantos dias é que quer? ... Aconteceu comigo, fiquei parva, só queria mesmo algo para a tosse e levei com uma semana de doença, e olhem que refilei!

 

E agora pensam vocês, realmente que abuso mas devem ganhar menos pelos dias que faltam.

Pois, não. Existe até um pequeno acréscimo pelo facto de estarmos doentes, e por conseguinte precisamos de ajuda nas despesas, farmácia e afins.

Só a partir de muitos dias de doença, não sei especificar quantos, é que há um corte no ordenado.

Espera mas podem ser despedidos! Também não, pois doença não é eticamente um motivo para despedimento, vão despedir uma pessoa porque em dois meses esteve quatro vezes de baixa? A pergunta é mais esta, se não esteve realmente doente o que é que podem fazer? Absolutamente nada e sem provas muito menos.

 

É um acontecimento bastante comum que se passa pela calada e é consentido por todos porque sinceramente não há réstia a fazer.

Quando cheguei a Alemanha era difícil meldar-me de doente porque fui educada de outra forma e a cultura, essa era outra.

Digo que era mas ainda o é, raramente coloco doença por uma gripe ou uma diarreia de dois dias, preciso de estar literalmente às portas do falecimento da minha motivação interior para me levantar. Gostava de ser diferente e ter a cabeça mais no lugar no que toca à minha saúde, mas pasito a pasito, suave suavecito...

 

Contudo eu não sou para aqui chamada.. por isso adiante, mais sobre o tema, tenho a dizer que quando toca na altura das festividades o número de trabalhadores doentes sobe ao desbarato, e quem fala em festejar fala também quando anunciam dias de sol e temperaturas de verão esplendorosas aqui em Hamburg. Reparem como é grave aqui o tempo que quando faz sol as pessoas ficam “doentes”.

 

E prontos, mais um germanices de uma lusa que pouco a pouco vai percebendo destas coisas.

Assim é ser cidadão com direitos de "doença" em Hamburg, vou trabalhar no Natal e já faço apostas de quem é que vai estar por azar “doente” nesta época festiva.

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