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Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

24.Mar.17

Fazer surpresas à mamacita

A minha mãe e eu, fica estranho mãe o mais normal é mamacita, somos idênticas. Nunca tive dúvidas que fosse a filha da mãe que tenho, não há cá processos secretos de adopção antigos nem nada dessas coisas. Basta olhar para a cara de uma e imaginar como era ou ver como será... Apesar desta relação de unha com carne, divergimos numa série de pormenores, feitios e gostos.

No entanto, há algo que ganhei da minha mãe, que partilhamos, de fazer a mala e partir, conhecer o mundo e fazer parte dele.

 

Ora a vida da minha mamacita não tem sido tarefa fácil, a infância foi uma série de provações e o trabalho tem sido a palavra do seu dia-a-dia desde tenra idade. Viajar nunca foi opção, havia prioridades e muito menos havia possibilidades para tal.

 

Hoje o maior prazer que tenho é dar-lhe a conhecer coisas novas, simples na sua natureza mas que habitam só no imaginário dela, coisas de filmes que estavam longe de ser alcançadas. Abrir-lhe os horizontes, como ela o fez outrora, mas comigo dando-me esta coragem de ser sempre eu, que não era menos do que ninguém, que sou capaz mesmo quando as probabilidades estão contra mim.

 

Se posso retribuir-lhe porque não o fazer? Verdade seja dita, que nos divertimos bastante. A primeira vez que a levei a um bar para beber cocktails, nomeadamente um belo de um Pinã Colada, onde nos sentamos ao balcão do bar que nem duas dondocas foi uma risada levada da breca.

 

Faz anos em Setembro, bom carácter como só um virgem pode ter, eu, balança de gema, num momento de impulso daqueles vai assim mesmo que é o que eu quero e mando. Comprei bilhetes para a Madeira, reservei estadia no dia e como sou a pior pessoa para fazer surpresas, que a emoção de rebeldia é tanta que transborda, contei-lhe logo!

 

Ultrapassando a reacção inicial meio enfadada que é sempre algo "ai filha, não gastes dinheiro comigo" meio a rir que está contente de ir passear, dá naturalmente aquela vontade mesquinha de revirar os olhos e mandar passear couves.

Posto isto, já temos pelo menos dois objectivos a cumprir na Madeira, beber Poncha e arranjar um fornecedor no mercado negro dos bolos do caco que entregue lá no continente, em casa uma fornalha diária quentinha. Se vier por acaso com manteiga de alho, prometo que não torcemos o nariz.

 

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