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Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

Belinha na Alemanha

Divagações sobre os disparates da vida e sobre essa cultura alemã que já não é totalmente um bicho de sete cabeças

26.Out.17

Ansiedade o quanto custas tu e não sabes

De fases em fases, abrimos e encerramos ciclos. Uns melhores outros nem tanto, passamos por eles a correr ou devagar, uns deixam-nos a nostalgia outros apenas uma má memória que queremos enterrar.

 

Neste momento eu vivo o mesmo ciclo há sensivelmente quase três anos, um ciclo que de constante nada teve. Cheio de altos, buracos no chão e por vezes, parecia não haver nada no horizonte que me puxasse para a frente, que me impelisse a ser melhor, a procurar novos objectivos, que me fizesse ver que o que estava a fazer tinha realmente sentido. Dando confirmação que Eu, sem réstia de dúvida, devia estar ali, não noutro lugar.

 

Depois há aquelas fases intermédias que são danadas de se viver. Estas têm um espaço especial só para elas pela quantidade astronómica de energia que me consomem. Esgotam-me em ânsias e noites mal dormidas, o sol põe-se e a casa torna-se pequena, alguém cortou-me a respiração e ligou a minha bexiga que dá sinal de cinco em cinco minutos, passa a dois se não puser travão neste desalinho, exclamar em voz alta “Isabel está tudo bem, tudo resolve-se, tu já viste isso acontecer e depois o mundo não acabou, pois não?  ....  Tens razão, não acabou mas e se for desta vez?”

 

E com aviso, pois estas coisas sentem-se, que de mansinho a desordem passa a reinar na minha cabeça, entra sem licença e leva pela frente o meu ponto de equilíbrio, de calma. De repente já não sou mais eu que controla o meu corpo o meu estado, é ela que entrou, conhece os cantos à casa e ocupa o meu íntimo instalando o caos.

É um montar e desmontar de situações hipotéticas para problemas reais ou até mesmo eventuais, farei assim ou daquela maneira, e senão correr bem o que é que acontece? Será que estou certa? E se estiver errada? Não, não, não posso estar errada. Ou então o meu preferido, reflectir-me nos que me rodeiam, sentido-me pressionada para algo que quero muito mas não pra já, mas este já será que devia adiar, terei tempo depois, conseguirei realmente?

As horas passam e o pânico aumenta de tom, tu devias estar a dormir e não nesta roda viva, pára com isto e dorme. Claro que tal chamamento não ajuda nada. 

Diálogos internos que mais se assemelham a debates um tanto agressivos, que por sua vez dão lugar a umas covas negras em vez de olhos no dia seguinte.

 

E quando esse dia seguinte chega, tudo o que se pensou durante a noite, tudo o que se debateu e despontou um número infinito de idas à casa de banho torna-se miserável, sem valor de preocupação maior. Até que a noite cai outra vez, e aí ou vivo a ânsia de reviver o que se passou ou sou forte o suficiente para dizer “hoje não.”

 

Actualmente já não acontece muitas vezes, quando sinto que aí vem passo para os meus refúgios, coloco-me em defesa. Quase sempre funciona. Mas é tramado quando os supostos refúgios, que deviam trazer o teu lado racional à tona, falham redondamente.

 

E sem dó nem piedade esta noite que passou foi só assim repleta de merda ansiosa mental. Mas hoje vai ser diferente, prometo a mim mesma. 

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